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Artigos

A tríade cidadão, governo e tecnologia no processo de tomada de decisão

15/03/2024

*Por Iácara Faria
 

Em nosso cotidiano, temos padrões e sequências que nos permitem emitir avaliações e conceitos sobre “o que é bom, o que é ruim e o que pode e precisa ser aprimorado”.

Constantemente, avaliamos a qualidade de um serviço contratado, seja por meio de uma pesquisa formal da empresa prestadora ou por nossos critérios de satisfação. Analisamos a evolução de preços e juros em operações financeiras, monitoramos indicadores de saúde, o consumo de combustível dos veículos, o desempenho escolar, as alterações climáticas da cidade, o tempo de atendimento de uma solicitação ou mesmo o tempo de espera de um transporte público, entre tantas outras ações rotineiras.

Um excelente exemplo de uso dos dados com o foco na gestão de saúde pública foi (e continua sendo) a análise de dados da pandemia de Covid-19. A partir de dados coletados com relação ao número de testagem, nos números de pessoas impactadas, números de leitos, taxa vacinal, estudo das faixas etárias, tempo entre contaminação e recuperação, entre outros indicadores, medidas sanitárias e políticas públicas foram estabelecidas pelos governos, zelando pelo bem-estar e pela saúde da população.

De fato, o tempo todo estamos interpretando os dados que produzimos ou recebemos de nossas ações e do ambiente em que estamos inseridos, o que nos remete ao conceito instituído por William Thomson, cientista e físico irlandês do século XIX, de que “aquilo que não se pode medir, não se pode melhorar”.

Ainda, a própria etimologia da palavra “matemática” reforça a arte de se compreender padrões e números. Em grego, máthema significa compreensão, conhecimento, aprendizagem e thike significa arte.

A partir dessa reflexão, vamos olhar para a nossa realidade com a concepção de uma sociedade inteligente centrada no cidadão, onde as questões sociais e de negócios são apoiadas por tecnologias de informação e comunicação.

É nessa sociedade inteligente, ainda em construção, que identificamos a integração de três importantes e singulares aspectos: o modus operandi da sociedade, com as nossas necessidades e responsabilidades enquanto indivíduos; a evolução tecnológica, com a ampliação de oferta de serviços digitais favorecida pela implantação de sistemas informatizados e do crescimento da democratização do acesso à internet; e, ainda, a nossa ativa participação enquanto cidadãos e cidadãs, com espaço de voz e escuta para nossos anseios.

Como resultado dessa tríade, há uma abundante e crescente geração de dados e informações de características públicas e privadas. É desse processo de inteligência agregada que nasce a cultura analítica, com a geração, transformação e análise sistematizada dos dados, tanto pela sociedade quanto por governos e empresas, a fim de estabelecer padrões e seus desvios que impactam as áreas humana, social e econômica.

Temos então um valioso instrumento que pode ser utilizado para fins de melhoria na gestão de todo e qualquer serviço, promoção da transparência pública, inovação e ampliação de oferta de novos serviços. Além da otimização da gestão de recursos, prezando pela melhor experiência e garantia de direitos aos cidadãos, pilar de uma smart city.

Assim, em um nivelamento mundial, as organizações públicas e privadas com seus respectivos gestores estão cada dia mais ávidos por inteligência da geração de dados e consequente conhecimento das necessidades da sociedade, para que, então, a tomada de decisão de políticas públicas ou prestações de serviços seja embasada e validada a partir de dados e não de forma empírica.

 

*Iácara Faria é coordenadora de Inteligência de Negócios no Instituto das Cidades Inteligentes (ICI).

Publicado originalmente na coluna do ICI no portal GazzConecta